Tag Archives: Madalena Matoso

Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 11]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responde a uma das nossas perguntas e aqui apresenta uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Considera ser mais difícil desenhar para crianças ou para adultos? Ou desenha sobretudo para si própria? Que conselho daria a uma criança que se lhe dirigisse exprimindo o desejo de se tornar ilustradora?

Madalena Matoso: Não me parece que haja graus diferentes de dificuldade entre fazer um desenho para adultos ou um para crianças. Pode haver preocupações diferentes, temáticas diferentes ou abordagens diferentes, mas a dificuldade é a mesma. Talvez o mais difícil seja desenhar para adultos que vão produzir qualquer coisa Continue reading

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Passatempo “O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

O Cria Cria tem para oferecer, com a amável colaboração do Museu da Luz e da Planeta Tangerina, cinco exemplares do livro “O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, à venda desde ontem. Para receber um destes álbuns, basta que Continue reading

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“O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

Não é uma janela qualquer. “Essa” janela, a que se referem a escritora Isabel Minhós Martins e a ilustradora Madalena Matoso, é a janela que, do Museu da Luz, planamente enquadra o olhar sobre a paisagem alentejana que, há quase dez anos, aninhava ainda a pequena Aldeia da Luz, desaparecida sob as águas da barragem do Alqueva. Nessa altura, a Aldeia da Luz protagonizou incontáveis títulos de jornais: a “tragédia” Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 10]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responde a uma das nossas perguntas e aqui apresenta uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Qual foi a coisa mais interessante que aprendeu com a ilustração até hoje? Com quem? Quem é o seu ilustrador favorito? Por que razão? Quem é que imita mais? Fica irritada com isso?

Madalena Matoso: Não consigo dizer “a” mais importante. Uma das primeiras coisas que aprendi é que não temos de ser redundantes em relação ao texto, o que abre possibilidades infinitas. Há quem pense que um ilustrador não é Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 9]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responde a uma das nossas perguntas e aqui apresenta uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: É ilustradora a tempo inteiro, 24 horas por dia? Desenha mentalmente tudo o que vê, estando acordada ou a dormir? E toma notas ou faz esquissos sobre essas visões? O que é que tem de ter sempre consigo para o poder fazer?

Madalena Matoso: Penso que todas as experiências pelas quais passamos influenciam de alguma maneira o nosso trabalho. Os filmes, as viagens, os livros, a música, as pessoas que conhecemos… Nesse sentido, mesmo que não esteja a pensar numa ilustração em particular, estou inconscientemente a recolher material de trabalho e, por isso, pode dizer-se que sou ilustradora a tempo inteiro. Mas não estou sempre a Continue reading

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“Para onde vamos quando desaparecemos?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

Eis mais um texto encantador de Isabel Minhós Martins, poeticamente pessoano na forma delicada como aborda a “espantosa realidade das coisas”. A voz de quem escreve é a voz de quem conta, em partes e apartes. É a voz que partilha e que ensina a olhar, a sentir e a pensar. É a voz de quem empenhadamente se entrega às Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 8]

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Por que é que acha que as pessoas desenham? E por que é que a Madalena desenha? Ainda sente a mesma motivação que tinha quando começou a ilustrar?

Madalena Matoso: O desenho pode ser o começo de alguma coisa. A mão desenha sozinha e, às vezes, aparecem resultados de que não estávamos à espera. Pode ajudar-nos a pensar, a encontrar, a ver melhor. Quando olhamos para uma coisa e a desenhamos, começamos a vê-la de maneira completamente diferente — é como se a víssemos por dentro. Podemos desenhar para passar o tempo. Ou para nos concentrarmos nalguma ideia. Às vezes, uso o desenho para Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 7]

 

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Zanga-se com as suas ilustrações? E elas consigo? Tem uma relação saudável com todas as ilustrações que vai terminando e juntando ao seu portefólio? Fica sempre satisfeita com os resultados do seu trabalho?

Madalena Matoso: Às vezes zango-me com elas. Se elas se zangam comigo, não sei bem… Há ilustrações mais antigas que valem pela experiência, mas de que não me orgulho especialmente (antes pelo contrário). Em geral, as ilustrações de que mais gosto são as Continue reading

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 6]

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Tem pesadelos com as suas ilustrações? E sonhos bons? Os seus momentos de criação são, por norma, felizes? Ou são difíceis?

Madalena Matoso: Não tenho pesadelos mas, às vezes, não me deixam dormir. Há momentos de criação difíceis e outros fáceis. Há livros em que começo por ter momentos difíceis e, sem saber muito bem quando ou porquê, torna-se tudo mais fácil. Às vezes, posso saber que ainda não encontrei o caminho certo, mas vou avançando até aparecer o caminho certo (ou o que, na altura, me parece certo), e começo tudo de novo. Há livros para os quais tenho uma quantidade enorme de desenhos que ficaram para trás; há outros em que só tenho dois ou três que não se usaram. Muitos desses desenhos que não aparecem no livro nem sequer estão acabados, são abandonados a meio (mas, às vezes, é um desses que não se chega a acabar que nos dá a ideia para o que queremos mesmo fazer).

 

ilustração originalmente publicada no livro “Cá em casa somos…” (Planeta Tangerina, 2009)

 

Madalena Matoso: Neste livro, os números ajudam-nos a conhecer melhor a vida de uma família. Em cada página ficamos a saber o número de pés, de pernas, de dentes, de cabelos, etc. que há “lá em casa”. As primeiras ilustrações que fiz eram bastante descritivas em relação ao texto e seguiam sempre a lógica de “confirmar” os números que eram referidos. Mas quando as vimos todas juntas achamos que eram muito parecidas entre si. Uma das coisas que mais gosto de trabalhar quando faço um livro é a sequência das imagens, o ritmo das páginas. Quando fazemos uma ilustração isolada (para um cartaz, para uma capa de livro ou para a imprensa) é completamente diferente. Num livro, mais importante do que cada imagem isolada, é o conjunto — o modo como as imagens funcionam umas depois das outras (para além da relação com o texto). Assim, fiz uma segunda versão com ilustrações mais abstratas e abertas. Alguns dos desenhos que ficaram de fora poderiam, à primeira vista, parecer mais ricos, por terem mais pormenores, mas eram também mais fechados e permitiam menos leituras. Cada página tem um tempo próprio. Umas são para ver muito depressa, outras são para ficarmos lá muito tempo (e de cada vez que pegarmos no livro vai ser sempre diferente).

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 5]

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Como é que faz para se “lembrar” de coisas que ainda não existem? Como é que trabalha a imaginação?

Madalena Matoso: Às vezes, tenho a sensação que cada coisa que fazemos é uma preparação para a próxima. Como se cada desenho tivesse lá dentro todos os que fizemos até ali (e não fosse possível existir sem todos os que ficaram para trás). Assim, as ideias novas que surgem em cada projeto são uma base para as seguintes. E essas ideias podem vir de vários sítios. Quando faço um livro, concentro-me muito no texto. Há o que está escrito e há um universo por trás das palavras. Podemos usar as ideias do texto como porta para outras, podemos fazer uma ilustração que seja ela mesma uma “porta”, podemos acrescentar ideias nossas… Nesse sentido, penso que fazer um álbum ilustrado é um verdadeiro trabalho de equipa, mesmo que nunca se tenha conhecido o autor (ou mesmo que sejamos nós próprios o autor do texto). Depois, tudo o que vivemos e fazemos, se estivermos atentos, pode ajudar-nos a inventar as tais coisas que não existem. Há o cinema, os livros, andar na rua, a música, memórias de quando éramos pequenos, pessoas que conhecemos,… Às vezes as ideias aparecem quando estou a andar de carro ou de comboio — é como se estivesse a ver o mundo através de uma moldura, e essa moldura faz com que as coisas nos pareçam mais distantes e novas.

 

ilustração originalmente publicada no livro “Trava-línguas” (Planeta Tangerina, 2008)

 

Madalena Matoso: Esta ilustração foi feita para o “Trava-línguas” (com recolha de Dulce de Souza Gonçalves). Já tinha há alguns anos a vontade de trabalhar a tipografia como imagem, e o “Trava-línguas” foi o pretexto ideal. Para este livro, desenhei um alfabeto a partir da “Century gothic” (1991, Monotype Imaging, que por sua vez é baseada na “Twentieth century”, de 1937, da Lanston Monotype) e fiz carimbos com esse alfabeto. Todas as imagens do livro foram desenhadas com esses carimbos. Primeiro, ia experimentando fazer os desenhos em folhas de rascunho. Quando me parecia que havia ali qualquer coisa que valia a pena, repetia a composição com um papel vegetal e ia acrescentando ou melhorando alguns aspetos. Depois, digitalizei todos os desenhos e trabalhei-os no computador. Nessa fase tentei aperfeiçoar alguns detalhes e alterei a escala de algumas letras — para que a figura que formavam fosse mais perfeita e ganhasse pormenor. Mas acabei por achar que manter sempre a mesma escala ao longo do livro era mais interessante, e voltei aos primeiros desenhos, mesmo que fossem menos perfeitos. Foi uma escolha entre um desenho mais espontâneo, com erro, ou um desenho mais “limado”. Escolhemos o erro.

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 4]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Tem segredos ou técnicas especiais no seu método de trabalho que nos possam ajudar a desenhar melhor?

Madalena Matoso: O segredo para desenhar melhor é simples: desenhar. Quanto mais desenharmos, melhor desenhamos. Claro que para desenhar muito é preciso gostar de desenhar (e “isso” é mais difícil de explicar, não se sabe muito bem de onde vem, se está na mão, na cabeça, nos olhos). O meu professor de desenho da Sociedade de Belas Artes dizia que aprender a desenhar era como aprender uma língua estrangeira – não era preciso nascer com “nada de especial” para desenhar. E é verdade, há muitas técnicas que se podem ensinar/aprender para desenhar melhor. Mas depois há a vontade de desenhar, o estar sempre a desenhar, que não se ensina.

Por vezes, o desenho também pode ser uma luta. Li há poucos dias, sobre uma exposição do Rui Chafes: “Aquele que desenha também não pode deixar de se ferir com o que trabalha: a sua própria ferida.” (…) “As feridas são um dom. É delas que surge a obra, porque é delas que se alimenta o artista.”

 

ilustração originalmente publicada no livro “A charada da bicharada” (Texto Editores, 2008)

 

Madalena Matoso: Esta ilustração foi feita para o livro “A charada da bicharada”, com texto de Alice Vieira. Quando me enviaram o texto com as charadas, percebi que havia um quase-problema: não podia desenhar um gato para ilustrar o texto sobre o gato. Na altura, fiquei muito entusiasmada porque achei que era a oportunidade ideal para fazer um livro cheio de dobragens, em que só se revelaria o animal quando se desdobrassem as páginas. Como era uma editora grande, achei que seria viável fazer um livro de produção mais cara (que no Planeta Tangerina seria insustentável). Mas, depois, em conversa com o Jorge Silva, que na altura era o diretor de arte do grupo Leya/Texto, percebemos que uma produção muito complicada também não seria possível. Assim, vi-me “condicionada” (no bom sentido) às páginas normais de um livro e tive de encontrar uma solução para ilustrar cada adivinha sem desvendar o animal mistério. Experimentei, então, fazer ilustrações em que o animal estivesse lá mas que não se visse num primeiro olhar.

Acabei por me divertir muito a fazer estes desenhos porque inventei histórias para a ilustração “que se via” (vagamente relacionadas com o “tema”), e o único compromisso era que o animal lá estivesse escondido.

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 3]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Acha que tem estilo? Ou acha que tem um estilo próprio? Acha que é “especial”?

Madalena Matoso: Quando estou a fazer uma ilustração, ter um estilo não é o que mais me preocupa. Acho que é importante ter uma voz própria, mas isso vai-se construindo naturalmente. O que mais gosto é de experimentar coisas novas, de andar à procura, e isso faz com que trabalhe com muitos tipos de técnicas, com materiais diferentes… Vejo os livros como pequenos laboratórios em que posso experimentar ideias, e isso entusiasma-me muito. Mas, à medida em que vamos fazendo trabalhos (no meu caso, são maioritariamente livros), a tal voz própria vai emergindo, porque somos a mesma pessoa, pensamos com a mesma cabeça. Às vezes podemos trabalhar em técnicas muito diferentes, mas a forma como ocupamos uma página ou abordamos um assunto vai definindo o tal “estilo” próprio. Mas não me vejo a cristalizar num tipo de representação, numa gama de cores, para ser fiel a um estilo. Em cada trabalho gosto que haja coisas novas para mim e para os leitores.

 

ilustração originalmente publicada no livro “Andar por aí” (Planeta Tangerina, 2009)

 

Madalena Matoso: Esta ilustração foi feita para as guardas do livro “Andar por aí”. Gosto muito desse texto da Isabel Minhós Martins. É um livro sobre um avô e um neto que “andam por aí”. Não vão a nenhum lado em especial, não têm nenhuma tarefa em mãos… O único objetivo é deambular pela cidade como se a estivessem a ver pela primeira vez.

Gosto de fazer os desenhos das guardas porque não estamos a ilustrar nenhuma passagem em particular do texto, mas podemos tentar captar a essência do livro e condensá-la numa imagem. Há guardas mais gráficas, com um padrão, por exemplo, há outras que nos dão pistas sobre a história, há outras que nos dizem o “sítio” da história… São uma espécie de genérico do livro. Nestas guardas, a planta da cidade transformou-se em pássaro.

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 2]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 estamos a receber Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Sente o seu cérebro crescer quando está a desenhar ou quando está a criar alguma coisa?

Madalena Matoso: Às vezes parece que se abrem portas e alçapões dentro do labirinto que é o nosso cérebro. No início de alguns trabalhos, há uma espécie de “nada”, e depois as coisas vão ganhando forma de uma maneira que não estávamos à espera. Essa passagem do “nada” a “alguma coisa” é uma das coisas de que mais gosto quando estou a trabalhar. O desenho, muitas vezes, é o que nos ajuda a encontrar esses quartos cheios de ideias que estão dentro do nosso cérebro. Outras vezes, basta olhar para alguma coisa quando estamos a andar de carro. Outras vezes, não sabemos mesmo de onde vêm as ideias.

 

ilustração inédita (2009)

 

Madalena Matoso: Esta colagem foi uma experiência que fiz para um trabalho, mas que nunca chegou a ser publicada. Era a imagem para um serviço educativo que tinha como público as famílias, e eu aproveitei para explorar a ideia dos retratos de família (pelos quais tenho alguma obsessão). Gostava da ideia de brincar com o formalismo que normalmente há nestes retratos, de perceber/inverter as relações dentro do grupo… Como as pessoas tinham de estar muito paradas para tirar o retrato, estão quase sempre com um ar muito sério, mesmo as crianças. Pintar por cima e colar elementos extra, era uma forma de brincar com essa seriedade.

A família da minha mãe tem álbuns de fotografias lindos (muito bem organizados pela minha avó), que sempre me fascinaram. Vê-los era quase como ler um álbum ilustrado: tentar perceber as histórias por trás daquelas caras, perceber quem era quem. Mas as fotografias destes álbuns são muito mais informais. Havia fotografias na praia, nos passeios. Não havia aquela tradição de “ir ao fotógrafo” (provavelmente porque havia fotógrafos – amadores – lá por casa).

Assim, para este trabalho, por não ter retratos formais nos álbuns lá de casa, andei a colecionar retratos de famílias que eu não conhecia e dei por mim a olhar para aquelas caras e a pensar no que teria acontecido àquelas pessoas. Os retratos tinham congelado aqueles momentos, mas o tempo continuou a passar. As crianças teriam crescido, casado, ido viver para a cidade, emigrado,… Teria havido algumas doenças. Quase todos teriam morrido (comecei a fazer contas, e as meninas, se fossem vivas, teriam mais de cem anos). Tive pena que tivessem de morrer (como quando temos pena das coisas que acontecem nos filmes ou nos livros). Pareceu-me um desperdício, muita beleza desperdiçada.

Concluindo, a ilustração acabou por ficar na gaveta mas todo o processo abriu portas para caminhos novos e estranhos, o que é sempre bom.

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Madalena Matoso [ilustradora convidada, outono 2011, semana 1]

 

Dando continuidade ao nosso ciclo Ilustrador Convidado, neste outono de 2011 receberemos Madalena Matoso, uma das criadoras mais relevantes no campo da ilustração infantojuvenil portuguesa da última década, mas também uma  designer brilhante, editora e fundadora da Planeta Tangerina, casa que publicou muitos dos seus mais notáveis trabalhos. Semanalmente, Madalena Matoso aqui responderá a uma das nossas perguntas e aqui apresentará uma sua ilustração de que se orgulhe particularmente.

 

Cria Cria: Como (e quando) é que surgiu o desenho na sua vida? E como (e quando) é que o desenho começou a “transformar-se” em ilustração?

Madalena Matoso: Não me lembro de começar a desenhar, tal como não me lembro de nascer ou de aprender a andar (tenho algumas memórias de aprender a falar mas, provavelmente, são inventadas). Lembro-me que desenhava muito, todos os dias. Depois da escola, eu, os meus irmãos e alguns vizinhos juntávamo-nos à volta da mesa da sala de jantar a desenhar. Também fazia desenhos no consultório, à espera do médico, no banco à espera que fossem levantar dinheiro, nas toalhas de papel dos restaurantes,… Se fosse preciso esperar por alguma coisa, a minha mãe dava-me um papel e uma caneta.

Acho que o desenho se começou a transformar em ilustração quando comecei a fazer livros para oferecer. Na escola, fazíamos a clássica “composição + desenho”, mas o desenho só estava lá para a página não ficar muito vazia. Esses desenhos não me entusiasmavam muito. Acho que estava em piloto automático. O que eu gostava mesmo de fazer, o que era divertido, era inventar coisas para fazer em casa e fazê-las (livros, cenários para brincar, máscaras).

 
ilustração originalmente publicada no livro “Quando eu nasci” (Planeta Tangerina, 2007)

 

Madalena Matoso: Este desenho é do “Quando eu nasci”. O texto diz: “Quando eu nasci nunca tinha mexido na terra nem feito túneis na areia. As minhas mãos nunca tinham tocado em nada, só uma na outra.” Lembrei-me de quando era pequena e estava na praia. Às vezes fazíamos dois túneis na areia e eles encontravam-se e podíamos dar a mão lá por baixo. Neste livro, procurei criar imagens muito simples, quase minimalistas, mas que conseguissem ter muitas ideias “lá dentro”. Ideias do texto e não só. Por outro lado, trabalhei a simetria das páginas e a relação com o meio do livro (onde as folhas dobram) e tentei tirar partido dessa charneira. Em relação às cores, também as resumi a quatro + preto para procurar essa imagem simples, simbólica.

O passarinho está mais relacionado com outra parte do texto desta página: “Quando eu nasci era tudo novo. Tudo por estrear.” Lembrei-me de quando chegamos a uma praia no inverno e ela está sem pegadas, “por estrear” (achamos nós).

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“Todos fazemos tudo”, de Madalena Matoso

 

“Todos fazemos tudo” é o título escolhido para a edição portuguesa de “Et pourquoi pas toi?”, a última obra de Madalena Matoso, agora publicada pela Planeta Tangerina. Projeto original das Éditions Notari, o livro nasce de um concurso de criatividade promovido pelo município de Genebra, a cidade capital dos Direitos Humanos. Graças a este concurso, milhares de crianças de instituições do ensino pré-escolar, creches e jardins de infância, receberam exemplares gratuitos da obra.

Mais do que um livro, “Todos fazemos tudo” é um álbum puro e um jogo. Recorrendo à técnica tradicional do méli-melo, as páginas são cortadas ao meio: na parte superior surge a identidade, o rosto e tronco das personagens, e um cenário básico; na parte inferior, a ação que a personagem desempenha, a atividade profissional, de lazer ou doméstica, acompanhada por alguns elementos identificativos. A ilustração deixa de ilustrar, de acompanhar, de complementar, de acrescentar algo ao texto. Nesta obra, a ilustração é a narrativa que, sem palavras, nos permite refletir sobre os estereótipos sociais e sobre a igualdade de direitos e deveres, com uma eficácia mil vezes superior a quaisquer sermões ou moralismos, projetos ou preleções.

 

 

Para além de oferecer aos mais pequenos um valioso contacto gráfico inicial com as representações do mundo e com a variedade de papéis e tarefas possíveis para cada ser humano, “Todos fazemos tudo” retrata situações do quotidiano, facilita o reconhecimento de objetos e cenários, nomeia-os, e até conta uma, várias, muitas histórias. A leitura visual propicia a compreensão das relações possíveis entre cada página (ou pedacinhos de página). É um livro-jogo para o leitor, mas terá sido igualmente um jogo-quebra-cabeças para a autora. Para além de talento artístico, gráfico e concetual, a ilustração exigiu um raciocínio lógico de construção matemática para que todas as possibilidades de conjugação batessem certo, quais peças de um puzzle. Algumas páginas serão, decerto, mais bem conseguidas do que outras, mas as pequenas incongruências dão ainda mais encanto à obra. Procurar sentidos, formular hipóteses, criar percursos e mini-narrativas a cada mudança de página inesperada, identificar indícios que nos conduzam à decifração das atividades em causa (algumas mais convencionais, outras mais intrigantes), dialogar com a possibilidade de continuação do processo de construção de outras imagens, quer individual quer coletivo – “Todos fazemos tudo” poderá tornar-se uma presença significativa em qualquer contexto pedagógico, graças às possibilidades criativas que, quase sem esforço (aparente), sugere.

 

 

Embora claramente centrado num convencional modelo europeu de vida, e talvez precisamente por isso, pode constituir uma base de trabalho interessante, lançando novos desafios: como seria este livro se tivesse sido criado tendo em conta uma realidade geográfica diferente? E se tivesse surgido noutra época, mais ou menos distante? Como imaginamos que poderia ser esta obra dentro de cem anos?

O leitor é cocriador da obra, decidindo o rumo que deseja dar à narrativa visual: sou uma avó babada, mas posso ser campeã de surf; sou um cientista importante, mas não me posso esquecer de pendurar a roupa; sou mulher, mas conduzo um trator potente; sou homem, mas escovo com esmero o cabelo da minha filha; sou de raça caucasiana, mas os meus filhos são de raça negra… Se “Todos fazemos tudo”, “porque não tu”?

 

livro “Todos fazemos tudo”, de Madalena Matoso
Planeta Tangerina, 2011
[a partir dos 12 meses]

 

Paula Pina

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Setembro no Planeta Tangerina, da galeria às livrarias

 

Além do tão atarefado “Todos fazemos tudo”, de Madalena Matoso, já aqui divulgado, a Planeta Tangerina irá igualmente começar a embelezar as mais felizes estantes infantis portuguesas com uma sua nova pérola: “Como é que uma galinha…”, parceria de Isabel Minhós Martins com a notável ilustradora Yara Kono. Os dois livros serão lançados na inauguração da exposição dos ilustradores residentes daquela casa editorial que irá acontecer no próximo sábado, 10 de setembro, na louvável galeria Dama Aflita, Porto – uma mostra para visitar até 22 de outubro.

 

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Mais “Magia!” de Madalena Matoso em breve

 

Entre a inocência e a candura, entre a singeleza e a profundidade, entre a razão e a emoção, entre o corpo e a alma, Madalena Matoso é cada vez mais também “Magia!”. Tudo em Madalena Matoso é comovente na cabal liberdade do gesto afetivo dedicado a personagens com um vigor e uma inclinação indomável para as supremas alegrias quotidianas. Das ilustrações e das nossas vidas como línguas gémeas, em permanente e inabalável entendimento. Tudo em Madalena Matoso é extasiante e esplendorosa transferência de empatia, cumplicidade, carinho, amor, destino, plenitude, vida. Uma “Magia!” que temporariamente é feliz exclusivo de um vizinho país distante, mas que em breve terá o merecido protagonismo eterno aqui no nosso apaixonado recanto.

 

 

Moreno Fieschi

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“Todos fazemos tudo”, de Madalena Matoso, anunciado para setembro

 

A matriz desenhada na miraculosa depuração formal e na profunda inteligência cromática que – entre uma miríade de outros atributos – se gera e renova em cada gesto do olhar criativo de Madalena Matoso terá em setembro mais uma feliz evidência. Agora prometido no blogue do seu Planeta Tangerina, o caderno de ilustrações “Todos fazemos tudo” – com origem na suíça Éditions Notari, que lhe permitiu uma primeira edição há poucos meses – revelará na rentrée um generoso espaço para este plural e democrático catálogo de personagens fisicamente questionados e desdobrados e transfigurados a cada (meia) página virada. Um ágil existencialismo semiótico cúmplice da beleza desarmante que aqui se anuncia e projeta:

 

 

Bruno Bènard-Guedes

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