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2011 > essencial > literatura > livros > nacionais

 

Uma reflexão e sistematização do que a história fará perpetuar da produção criativa de determinado ano não é, em nosso entender, tarefa que possa ser adequadamente cumprida ainda no decurso desse período ou, sequer, nos dias que se seguem ao seu fim. Por isso, sem as precipitações e as obsessões normativas que regem a quase totalidade das publicações culturais por este mundo dentro, optamos por deixar as obras que mais nos impressionaram e emocionaram em 2011 assentar um pouco da sua intemporalidade nesta primeira meia dúzia de semanas de 2012 – e resumimos, nos próximos dias, o que nos parece ser a essência dessa colheita, os trabalhos aos quais o ano passado merece ficar efetivamente associado. Para inaugurar esta pequena sequência de balanços, a produção literária infantojuvenil de Continue reading

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“Oinc! – A história do Príncipe-Porco”, de Isabel Minhós Martins e Paula Rego

 

Aos contos populares italianos, recolhidos e registados por escrito por Straparola, cabe a honra de encabeçar a já longa linhagem de narrativas maravilhosas europeias. Este conto em particular, incluído nas “Piacevole notti” (1557), é recontado, por exemplo, por Marie-Catherine d’Aulnoy (com o título “Le Prince Marcassin”), uma das mais prolíficas cultoras do género em finais do século XVII. De acordo com os rigorosos manuais de civilidade e etiqueta, o príncipe modelo nasce transformado no seu oposto animalesco. Não obstante todas as tentativas de domesticação, vestindo-o e educando-o, os instintos animais concretizam-se na sua aparência, nos hábitos e no seu perfil psicológico caprichoso, agressivo, insuportavelmente monstruoso. Em causa estariam Continue reading

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Passatempo “O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

O Cria Cria tem para oferecer, com a amável colaboração do Museu da Luz e da Planeta Tangerina, cinco exemplares do livro “O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso, à venda desde ontem. Para receber um destes álbuns, basta que Continue reading

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“O que vês dessa janela?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

Não é uma janela qualquer. “Essa” janela, a que se referem a escritora Isabel Minhós Martins e a ilustradora Madalena Matoso, é a janela que, do Museu da Luz, planamente enquadra o olhar sobre a paisagem alentejana que, há quase dez anos, aninhava ainda a pequena Aldeia da Luz, desaparecida sob as águas da barragem do Alqueva. Nessa altura, a Aldeia da Luz protagonizou incontáveis títulos de jornais: a “tragédia” Continue reading

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“Para onde vamos quando desaparecemos?”, de Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso

 

Eis mais um texto encantador de Isabel Minhós Martins, poeticamente pessoano na forma delicada como aborda a “espantosa realidade das coisas”. A voz de quem escreve é a voz de quem conta, em partes e apartes. É a voz que partilha e que ensina a olhar, a sentir e a pensar. É a voz de quem empenhadamente se entrega às Continue reading

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“Como é que uma galinha…”, de Isabel Minhós Martins com ilustrações de Yara Kono

 

“Como é que uma galinha…”, da autoria de Isabel Minhós Martins e com ilustração de Yara Kono, publicada pela Planeta Tangerina, não é uma história. É uma pergunta. Ou melhor, é uma pergunta gigante, que se vai desdobrando em outras perguntas encaixadas na primeira e, se quisermos, reforçando a primeira: “como é que uma galinha…?”, “mas como?”, “como?”. Na realidade, a interrogação sobre um dos animais mais vulgares e mais simbólicos do mundo acaba por se assemelhar a uma alegoria sobre os paradoxos da natureza. Os defeitos ou caraterísticas da ave, os seus hábitos e incapacidades são colocados em evidência. Ao mesmo tempo, expressa-se a perplexidade causada por aquele que é considerado o seu mais notável feito: pôr ovos. “Como é que tanta Matemática, / Tanta Biologia, / Tanta simplicidade, / Tanta sabedoria… Saem do rabo de uma galinha?”

A natureza tem destas coisas. Mas até que ponto se resgata de facto a dignidade da galinha? Até que ponto nos libertamos do estereótipo da galinha-objeto, da tal galinha-máquina-poedeira das linhas de produção industrial, a galinha depenada, pesada, embalada, catalogada, enfileirada? Da galinha procriadora de um artigo de consumo humano, o salvífico filho-ovo? Por vezes, algumas tentativas de humor resvalam para esta visão mais discutível do animal, nomeadamente no final do livro. A galinha é redimida, enquanto animal cultural e convencionalmente desvalorizado, porque de dentro dela saem ovos, pequenas obras de arte, estética e gastronomicamente perfeitas. Apesar do seu ar “feinho” e “pouco inteligente”, muito “tonto, tonto, tonto”, não obstante ser “pitosga”, “desajeitada”, “mal jeitosa”, “ociosa”, chegámos à conclusão de que a galinha, não é, simplesmente, uma galinha, mas sim “uma máscara”, “um verdadeiro agente secreto / Que guarda em si um segredo: Um pequeno planeta / Que traz a vida a reboque. / Mas o mais importante de tudo… é que não falte um bitoque!”…

O texto de Isabel Minhós Martins torna-se auditivamente interessante devido à utilização das rimas, das anáforas e dos paralelismos, e, evidentemente, pela pontuação expressiva. Todavia, é na delicadeza irónica das ilustrações que se encontra o ponto forte do livro, desde a escolha de materiais e cores, às colagens recorrendo a símbolos, códigos, selos, etiquetas ou datas de validade que encontramos nas embalagens de ovos.  Apesar de reconhecermos valor pedagógico ao texto, às referências culinárias ao ovo e ao tópico da utilidade da galinha para o ser humano, temas sempre explorados em âmbito educativo pré-escolar, a obra vale sobretudo pelos detalhes da ilustração: desde os objetos decorativos alusivos até à presença de outros animais (recordando a fábula da galinha ruiva), passando pela galinha que espirra e pela sugestão de velocidade do movimento de braços batendo as claras em castelo, até à incongruência de algumas galinhas dobrarem as articulações das patas para a frente, o que lhes dá, assinale-se, um toque muito feminino…

 

 

Apesar da ironia evidente em algumas passagens, e do sucesso, confirmado em risotas, que decerto se obterá junto dos mais pequenos graças às reiteradas referências ao “cocó”, vale a pena contar outras histórias que a ilustração conta. Conhecem aquela do menino que se mascarou de galinha e entrou no galinheiro para roubar um ovo, mas que acaba perseguido pela galinha e seus pintainhos? Não? Então tomem bem atenção à capa e contracapa. E já ouviram a história da galinha glutona que entrou à socapa num lindo couval bem português, e que, de guardanapo ao peito, devorou e debicou todos os pés de couve verdinha, escapulindo-se depois, de papo a abarrotar? Também não conhecem? Pois então, vejam com cuidado as guardas iniciais e finais.

 

 

livro “Como é que uma galinha…”, de Isabel Minhós Martins com ilustrações de Yara Kono
Planeta Tangerina, 2011
[a partir dos 3 anos]

 

Paula Pina

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Setembro no Planeta Tangerina, da galeria às livrarias

 

Além do tão atarefado “Todos fazemos tudo”, de Madalena Matoso, já aqui divulgado, a Planeta Tangerina irá igualmente começar a embelezar as mais felizes estantes infantis portuguesas com uma sua nova pérola: “Como é que uma galinha…”, parceria de Isabel Minhós Martins com a notável ilustradora Yara Kono. Os dois livros serão lançados na inauguração da exposição dos ilustradores residentes daquela casa editorial que irá acontecer no próximo sábado, 10 de setembro, na louvável galeria Dama Aflita, Porto – uma mostra para visitar até 22 de outubro.

 

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