Tag Archives: Beastie Boys

“Sabotage”, dos Beastie Boys: a revisão infantil

 

O realizador Spike Jonze fez com os Beastie Boys, vestidos e mascarados a rigor no videoclip de “Sabotage”, uma imitação parodiada, em tom de homenagem, das clássicas séries policiais dos anos 70. Partindo desta curta metragem de ação – a que não falta o genérico, os prodigiosos bigodes, os óculos escuros, os donuts, as perseguições e o sempre tão apelativo submundo dos ajustes de contas –, e tentando “resolver” um pouco da dor causada pelo brutal choque da morte de Adam Yauch (“MCA”) no início deste mês, um fã reuniu a criançada da família para lhe Continue reading

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Adam Yauch, a.k.a. MCA [1964 / 2012]

 

Foi graças um concerto dos Black Flag, em 1979, que Adam “MCA” Yauch decidiu formar, com o colega de secundário Michael “Mike D” Diamond, um grupo de punk hardcore. Com a entrada de Adam “Ad-Rock” Horovitz, uns anos mais tarde, os Beastie Boys converteriam-se no trio, mais associado ao hip hop, que até hoje firmou um modo tão idiossincrático de lidar com a miríade de influências e paixões que escoram o seu vigoroso edifício ético e estético. Nascido em Brooklyn, num meio suburbano de classe média, Adam Yauch, MC, baixista, compositor e produtor, passou para a sonoridade e poesia dos Beastie Boys a ironia provocatória da experiência do Continue reading

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Beastie Boys agora em action figures

“Hot sauce committee, part two”, o álbum que marca com solidez a agenda de 2011 dos Beastie Boys, funciona outra vez como fonte para o delírio juvenil que os novaiorquinos não sabem deixar de empregar a cada novo gesto criativo. Agora, a pretexto da publicação de um quarto single – “Don’t play no game that I can’t win”, a menos fulgurante canção do álbum, consequência do despropositado protagonismo cedido à débil convidada Santigold -, o trio ataca o mercado disfarçado de action figures paradigmáticas da sua vocação lúdica e satírica. Com uma disponibilidade de stock muito limitada e venda exclusiva através da sua loja na internet por um valor que provavelmente só os fãs mais radicais, colecionadores e excêntricos não considerarão proibitivo, estas figuras são comercializadas num pacote que inclui várias indumentárias (social e profissional) e outros fascinantes adereços. Como é tradição do seu constante empenho social, político e humanitário, os Beastie Boys garantem que a totalidade dos lucros será repartida por duas organizações devotadas à investigação e recuperação de crianças com cancro: a Pablove Foundation e a Alex’s Lemonade Stand.

Reforçando a promoção das action figures que reforçam a promoção do single, conceberam igualmente uma curta metragem, histórica como tantas outras da sua videografia, carregada de ironia bélica e absurda violência gráfica. Doses hilariantes de tensão dramática, perseguições (em terra, na água e no ar), esfaqueamentos, tiros de metralhadora, explosões, sangue, cabeças decepadas, zombies, um abominável yeti das neves, caos, morte e destruição que, apesar de tão explicitamente infantis, não são aconselháveis aos mais suscetíveis menores de 14 anos. Estreada há poucos dias, e com exemplar direção de um Spike Jonze que assim comprova mais uma vez que é no campo dos videoclips que melhor sabe forjar o seu incomparável traço narrativo e formal, esta é a nova entrada do espantoso espólio cinematográfico dos Beastie Boys.

 

“Don’t play no game that I can’t win”:

 

Moreno Fieschi

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“Hot sauce committee, part two”, dos Beastie Boys


Hoje, como em qualquer outro ponto de uma carreira já trintona, os Beastie Boys são um exemplo cabal do que de melhor a “eterna juventude” pode fazer pela música urbana. Um pouco como nos N*E*R*D, essa prioridade concedida à celebração de uma adolescência sem idade que brilha omnipresente no trio novaiorquino poucas vezes foi tão feliz e duradoura na história da cultura pop. Contra todos os preconceitos que na sua direção grassam praticamente desde o momento, há quase três décadas, em que decidiram ser algo mais do que apenas uma banda de punk hardcore, os Beastie Boys seguem aqui o seu exímio percurso ético e estético com uma nova festa que, não gerando os mesmos índices de frescura criativa a que nos habituaram, não deixa em momento algum de se elevar muitíssimo acima de quase toda a “concorrência”. Hip hop prepassado de funk, electro, punk e outras diversões, com o sentido lúdico e de permanente desafio sonoro que o género lamentavelmente foi alienando com o trânsito do tempo. Ou seja, mais um clássico, num certo sentido… “Hot sauce committee, part two” como o caldo da adrenalina que é este tão aconselhável antídoto para a violência advogada pela generalidade da televisão, internet, jogos de computador e suportes afins que a quase totalidade dos adolescentes e pré-adolescentes consomem nestes dias de tanta escassez e, simultaneamente, de tantos excessos…

As doses massivas de ironia e delírio dos três videos que se seguem podem ajudar a decifrar melhor o fenómeno. Ou confundir tudo ainda mais… Tal como eles esperam…

 

 

 

disco “Hot sauce committee, part two”, dos Beastie Boys
Capitol / EMI, 2011
[a partir dos 13 anos]

 
Moreno Fieschi

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